Suite para oboé e violoncelo, de Paulo Chagas

29 de Junho de 2017 | 21h30
O'culto da Ajuda | Lisboa

  

 

Suite para oboé e violoncelo - Paulo Chagas e Miguel Mira

de Paulo Chagas

 

Paulo Chagas oboé

Miguel Mira violoncelo

 

Embora seja uma configuração extremamente rara na história da música, o duo de violoncelo e oboé tem oferecido páginas assinaláveis ao repertório universal, desde o período romântico tardio até aos nossos dias. O francês Eugène Bozza no início do século passado e, mais recentemente, Isang Yun, reputado compositor coreano, deixaram-nos bons exemplos do que se pode fazer com este formato específico.

A Suite para oboé e violoncelo de Paulo Chagas é uma composição onde se combinam elementos da escrita formal com grafismos não convencionais, cruzando-se material escrito com improvisação orientada. Estruturalmente a peça divide-se em oito secções com caracteres distintos entre si, onde a variedade estilística pode representar um desafio para os intérpretes, no sentido de alcançarem a coesão no somatório das partes. Trata-se pois de um exercício de transversalidade idiomática que evoca uma percepção sensorial global em diferentes dimensões – som, imagem, linguagem.

O primeiro andamento é uma abertura minimal estática que explora as diversas possibilidades de trajectória dentro de uma escala mista (cromática, modal). No segundo predominam os movimentos polifónicos. O terceiro andamento é assumidamente ambiental, intercalando “drones” tonais com texturas não convencionais. O quarto oferece espaço para solos, cruzados com melodia acompanhada sobre base “groove”, como se se tratasse de um exercício de baixo contínuo pós-moderno. No quinto invertem-se os papéis, ficando o violoncelo com a responsabilidade melódica e o oboé com o bordão de apoio. A sexta secção é uma revisitação da abertura minimal, invocando vagamente a forma rondó. Na sétima apresenta-se uma dimensão polirrítmica, embora de carácter elementar, conduzindo depois para o final da suite que é marcadamente dodecafónico e pontilhista, criando um efeito de anticlímax.

 

Paulo Chagas

Compositor, professor e multi-instrumentista. Tem dedicado a sua intervenção a várias vertentes da música contemporânea, electro-acústica, ambiental, improvisação, jazz e música de câmara. Tem igualmente trabalhado no campo da produção musical, da promoção de concertos e festivais, assim como na escrita sobre música. É director artístico do MIA – Encontros de Música Improvisada de Atouguia da Baleia, desde 2010. Tem percorrido vários países tocando em concertos e festivais e ministrando workshops sobre composição e improvisação.

http://paulochagas.weebly.com

Miguel Mira

Arquitecto, pintor e professor universitário além de músico, este contrabaixista que também utilizou o baixo eléctrico e a guitarra baixo acústica centrou-se nos últimos anos no violoncelo, afinando este em quartas como um contrabaixo e utilizando-o, regra geral, com essas funções.

Um veterano nas lides do jazz (com episódicas incursões pelos blues e pelo rock), tendo percorrido praticamente todas as suas tendências desde o “mainstream” ao free e à música livremente improvisada, com passagem pela fusão, tocou com músicos nacionais tão diversos quanto Emílio Robalo, Celso de Carvalho, António Ferro, Armindo Neves, Carlos “Zíngaro”, Paulo Curado, Ernesto Rodrigues, Abdul Moimême e Rodrigo Pinheiro. Joe McPhee, Evan Parker, Jeb Bishop, Scott Fields, Joe Giardullo e Patrick Brennan são algumas das figuras internacionais com quem já partilhou palcos ou estúdios. Integra o Rodrigo Amado Motion Trio e tem um duo com o também violoncelista Ulrich Mitzlaff.

(in jazz.pt)

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