DOIS NARIZES num mar de plástico . Teatro da Rainha

9 a 12 de Janeiro de 2019 | vários horários |
 O'culto da Ajuda | Lisboa |

DOIS NARIZES num mar de plástico

Espectáculo dirigido ao público infanto-juvenil

 

Dois palhaços estão perdidos num mar infinito, um numa ilha, outro nas ondas. O primeiro vai à pesca, o segundo sobrevive a boiar. Vem o isco e o quase afogado morde-o e é pescado. É pescado por quem? Pelo primeiro. Há tanto tempo no mar o segundo inchou, parece um bicho. Sabe-se lá se morde. O primeiro cheio de fome vai buscar uma faca, o outro quando a vê grita e foge. Afinal parece gente, bicho não é certamente. Mas tem de ser educado, primeiro o trote, depois as letras de um cão, senta, deita e rebola. Como faz tudo bem o palhaço que está seco, e está mais bem nutrido e vestido, dá ao outro um nariz de palhaço, promove-o a seu igual. O palhaço que era quase bicho volta a ser palhaço de corpo inteiro. Mas o primeiro quer que ele seja seu servo, que lhe sirva um capilé. Fica então o ex-afogado a fazer de criado. O outro, de casaca com galões dourados, adormece na sua cadeira de pescador, ao beber o capilé. Finalmente o palhaço ex bicho e cão-valo está livre, está sozinho e descobre a arca dos prodígios e nela um instrumento musical e começa a tocar. E tudo se transforma no ar, o clima, as cores, estamos num mundo fantástico que música criou. O que dorme acorda meio sonâmbulo, vive um sonho ou está na realidade? Estará no país dos sons? E começa a cantar com o outro a canção dos dois palhaços que não eram amigalhaços mas que agora cantam juntos. De repente descobrem uma garrafa com uma carta escrita dentro sobre o golfinho voador. Essa carta diz que está escondido na onda mais alta da esquerda, está atrás da onda. Vão ter com ele e ele leva-os para a luz, subindo, voando, por dentro de um raio de luar. Em baixo, lá em baixo, que veem eles e os seus narizes? Um mar de plástico.

 

Datas: 9, 10, 11 de Janeiro 2019 - escolas   |   12 de Janeiro 2019 - público-geral

Horários: 10h30-11h30 / 11h30-12h30 / 14h30-15h30 / 15h30-16h30 (a combinar)

Preço: gratuito para alunos de escolas públicas / 3€ por aluno de escolas privadas

Duração: aproximadamente 45 minutos

Mais informações e reservas: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

Clown metafísico é como Brecht, um escritor de peças de teatro, chamava Karl Valentin, um palhaço alemão dos anos 20 do século passado. Ele chamava-lhe assim porque este palhaço fazia coisas disparatadas, imprevistas e muito mentais, sem sentido. Era capaz de pregar um prego numa parede imaginária ou vestir uma casaca pelos pés de maneira a não ser capaz de andar ou outras coisas que dão vontade de rir mas que normalmente não se fazem. Mas se dão vontade de rir e rir é bom porque é que não se fazem?

A ideia nesta criação é de construir uma história com gestos, clownesca, quer dizer em linguagem de palhaços, feita com os gestos e os movimentos que são o vocabulário dos palhaços, dos clowns — cada grupo tem uma maneira de comunicar própria, uma língua, um vocabulário, os bichos também, o papagaio, ou o cão, os golfinhos ou as baleias, todos comunicam, têm vocabulários, os seus alfabetos — quando um cão dá à cauda de uma determinada maneira está contente.

Este trabalho parte de improvisações com um guião que se foi transformando porque num trabalho de grupo, colectivo, é assim, cada um traz a sua ideia e vamos decidindo o que nos parece mais belo e adequado. Trata-se de um trabalho conjunto de escolher o que nos parece melhor. E o que será o melhor? O que seja bonito e adequado, como por exemplo fazer um sol de cartão que brilhe tanto como um sol porque muito bem desenhado e que ao mesmo tempo cumpra o seu papel numa caixa grande como é uma sala de teatro. Uma sala é uma caixa, um teatro é um paralelepípedo deitado, uma caixa de sapatos grande. Será assim? Onde se põe o sol? É como nos desenhos. uns põem mais no canto, outros mais ao meio. Pois, o sol parece que se mexe. Mas sabemos que é a terra que se mexe, não pára quieta. Onde pôr o sol?

 

 

FICHA ARTÍSTICA

 

Direcção e guião original de Fernando Mora Ramos

Uma ficção construída nos ensaios

por Nuno Machado, José Carlos Faria e Fernando Mora Ramos

Interpretação de José Carlos Faria e Nuno Machado

Figurinos de José Carlos Faria

Tratamento plástico e adereços de Margarida Dias Coelho e Mariana Sampaio

Orientação do trabalho gestual e movimento de Carlos Borges