Rubbatto Mobile Ensemble • os7*sons*MíSTiCOS

6 de Abril | 21h | O'culto da Ajuda | Lisboa

Rubbatto Mobile Ensemble

os7*sons*MíSTiCOS

Thedora T.: sineira-do-tempo, tampura-I, sanxian, peq.perc. Helena Espvall: vocalizos, cello, "lame-sonore", peq.perc.

Lula Pena: vocalizos, dulcimer, tampura-II, manipulação.d´água, peq.perc.

Pedro Ney: vocalizo-corno, buzuki, peq.perc.

Francisco Cabral: vocalizo-corno, tablas, gongo-I, carrilhão-II, bombo-II, peq.perc.

João Valinho: vocalizo-corno, gongos-II-III, erhu-II, serrote, flauta-II, Eduardo: carrilhão-I, vibrafone, xilofone-baixo, clarinete contraAlto, temple-block, direcção.

 

os7*sons*MíSTiCOS

Helena Blavatsky & Alexander Scriabin

 Há uma linguagem verdadeira e própria quando

o conjunto das notas musicais e o seu comportamento tendem para um significado.

Luciano Berio

Não podes caminhar no Caminho enquanto não te transmutares nele.

Helena Blavatsky

 Olho com inveja para a mais imaterial das Artes —a música— onde, de modo natural e imediato, cada um encontra a expressão do seu mundo interior.

Wassily Kandinsky

 Os7*Sons*MíSTiCOS é o mais recente projecto do Rubbatto*Mobile*Ensemble, grupo de expressão músico-teatral liderado desde 1997 pelo autor poli-disciplinar Eduardo Sérgio.

Trata-se de uma obra concertística inspirada no Primeiro Fragmento de A Voz do Silêncio de Helena Blavatsky, tradução e notas de Fernando Pessoa.

Antes que ponhas o pé sobre o degrau superior da escada dos sons místicos, tens de ouvir de sete maneiras diferentes a voz da tua individualidade superior. A primeira é como a voz suave do rouxinol cantando à sua companheira uma canção de despedida. A segunda vem como o som de um címbalo de prata acordando as estrelas lucilantes. A terceira é como o lamento melodioso de um espírito do oceano prisioneiro da sua concha. E a esta segue-se o canto da vina. A quinta, como o som de uma flauta de bambu, grita aos teus ouvidos.

Muda depois para o clamor da trompa. A última vibra como o rumor surdo de uma nuvem de trovoada. A sétima absorve todos os outros sons.

Eles morrem, e não tornam a ouvir-se - propõe Blavatsky.

Para cada um dos mencionados sete degraus ascendentes, estabelecemos distintos conjuntos tímbricos que se expressam durante dez

minutos em cada patamar — a matéria sonora é neles introduzida por aparecimentos sucessivos dos níveis Terra - Arbusto - Flores.

Os valores simbólicos dos timbres descritos em A Voz do Silêncio inspiraram o universo sonoro da obra para a qual foi eleito o seguinte instrumental: leques, carrilhões-eólicos, taças-tibetanas, gongos, bombos, rotonton,

tablas, templeblock, dulcimer, erhu, tanpura,

flauta-shakuachi, clarinete contra-alto, cornu, aqua et femina-vox.

Para coração harmónico desta obra foram escolhidos 3 carrilhões-eólicos e 5 gongos, instrumentos

caracterizados pela exuberância de harmónicos — um contexto onde se expressa o mirífico hexacorde-místico de Alexander Scriabin,

compositor versado na filosofia teosófica de Helena Blavatsky.

Sopros, cordas e voz humana expressam-se em tal contexto de homófonos.

O carrilhão-eólico, uma das variantes dos proverbiais moinhos-de-oração do antigo Tibete, pertence à extensa e antiquíssima família de instrumentos de eleição para as ambiências sonoras propícias à meditação.

Tal carrilhão, distinto do carrilhão de orquestra cujos tubos estão dispostos em plano, configura-se numa disposição cilíndrica em volta de uma massa circular de madeira branda que, ligada por fino cabo a um leme, recebe da aragem os impulsos percutivos. & expressa-se um pedido ao público — não aplaudir com palmas.

Acenos de mão e sorrisos são modos privilegiados de prolongamento da viagem meditativa.

Neste particular, lembremos que espiritualistas e psicólogos afirmam que meditação, oração e encontro com o si-mesmo são nomes diferentes para a mesma prática mental.

Eduardo Sérgio

Collares, Set. 2018

Esta obra foi apresentada na Feira Alternativa de Lisboa, 2018 com a duração de 50´ e instrumental reduzido

 

O Rubbatto*Mobile*Ensemble foi constituído em fins de Janeiro de 1997 para ir competir no III Tournoy de Musique Improvisée de Poitiers com a seguinte formação: Alessandra GiuraLongo, recitação em italiano e flautas; AnaPaula Constância, piano; JoãoLuiz Macedo, guitarra; Eduardo Sérgio, clarinete baixo, trompete-híbrido, máquina-de-escrever.

Estreou-se em Março do mesmo ano no Auditório Municipal de PontaDelgada com a obra “Rubato, Tempo” sobre o texto gongórico da entrada homónima da Grande Encyclopedia Italiana de Cultura.

A convite da Câmara Municipal de PontaDelgada o concerto foi repetido em Maio do mesmo ano.

Grupo de expressão musico-teatral que é, o R*M*E tem tido formações diversas, do duo ao septeto, interpretando obras de poesia-concreta, filosofia-irónica e outras. De referência as suas interpretações de EstéticaMusical, Universidade de Évora, 2012, e Tertúlia de Oeiras, 2013; de Arte-da-Mentira-Política de Jonatan Swift, versões em português em Lisboa, 1998, e em italiano em Messina, 2002.

  

Para a construção harmónico-melódica de os7*sons*MíSTiCOS baseei-me no acorde místico do Scriabin, distribuindo-o desde C1, F#1, Bb1, E2, A2, D3, C4, F#4, Bb4, E5, A5, D6 até C7, F#7, Bb7, atribuindo estas notas a crótalos e sinos.

As apenas Cinco partituras, são monodias-de-ostinato a serem tocadas nas máximas extensões de cada instrumento — usado, em cada volta, rubato-idiossincrático.

Os erhus, tamputas, sanxian e dulcimer têm os seus mini-ostinatos específicos.

Eduardo Sérgio