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O'culto da Ajuda - outros projectos

"Eu Próprio o Outro" de Mário de Sá-Carneiro: performance

26 de Abr. de 2016 21:30

O'culto da Ajuda
Lisboa, Portugal

Espectáculo em comemoração do Centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro.

"Eu Próprio o Outro" de Mário de Sá-Carneiro. Uma performance de Bruno Schiappa.

O actor e encenador Bruno Schiappa realiza uma performance com leituras de textos de Mário de Sá-Carneiro, numa homenagem ao poeta no centenário da sua morte, por suicídio, em 1916.

A performance será seguida de conversa com o público com o tema: "a performance  da palavra e a palavra enquanto performance".

"Sinopse: um escritor cruza-se com uma personagem sobre a qual escreve. Durante o processo de escrita, o autor vai tecendo elogios ao outro e fazendo comparações consigo. Conforme se entrega febrilmente à paixão de escrever sobre esse “outro”, percebe que está a ficar perturbado, consumido e encurralado por ele. Mas quem será esse “outro”? Existirá fisicamente? Será um alter ego do escritor ou um ideal de si mesmo? E que medidas poderá o escritor tomar para se libertar desse “outro”?

Depois da performance que se pautará pela leitura e a escrita enquanto ações, seguir-se-á uma conversa/debate com o público sobre a performance da palavra e a palavra enquanto performance.

Em que medida é, o ato criativo de escrever, uma performance? E o ato de ler? O que se altera quando outro lê o que um escreve? E quando o primeiro escreve estará a recriar-se?

Estas questões terão como pano de fundo o centenário do suicídio de Mário de Sá-Carneiro a partir da novela Eu Próprio O Outro."

Bruno Schiappa

(Rifas de presença participativa a 5€, 10€, 20€)

 

 

"Quero fugir, quero fugir!...
Haverá tortura maior?
Existo, e não sou eu!...
Eu próprio sou outro... Sou o outro... O Outro!...."

Mário de Sá-Carneiro, Eu Próprio o Outro


“A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas "cartas de despedida"... Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui... Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas: mas não tenho dinheiro. […]”

Mário de Sá-Carneiro, Carta a Fernando Pessoa, Março de 1916


Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

Mário de Sá-Carneiro, 1916

 






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