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Concert Season

Talentos Emergentes . Philippe Trovão saxofone

26 10 2019 21:00

O'culto da Ajuda

26 de Outubro de 2019 | O'culto da Ajuda | Lisboa |

Talentos Emergentes RECAST Philippe Trovão  saxofone

Michel Decoust - Olos 3'
Anatol Vieru - Metaksaks 4' 
Marc Tallet - Mnemosyne et l’oubli 7' 
Costin Miereanu - Variants-Invariants 13'
Jorge Peixinho - Sax-Blue 16'

 

RECAST, por Philippe Trovão

nome atribuído ao projecto, tem como principal objectivo a preservação de obras compostas originalmente para saxofone e dispositivo electroacústico, que poderá ser qualquer aparelho analógico que transforme de alguma forma o som do instrumento. A música electroacústica é a resultante da combinação de sons criados de forma mecânica e sons criados de forma electrónica. No panorama da música erudita é ainda bastante recente e apresenta desde o momento em que começou a ser explorada uma problemática que tem que ver com a constante evolução tecnológica e consequente incompatibilidade com meios de processamento e reprodução de áudio que muito rapidamente ficam obsoletos. A acrescentar a esta questão, as partituras, na grande maioria dos casos, não têm informações suficientes para a performance. Perante isto começou a surgir, usando a tecnologia actual, a procura por criar soluções para que estas obras voltem a ser interpretadas. A solução passa por criar em computador simulações dos aparelhos com todas as suas funcionalidades e por criar controlos que permitam ao intérprete modificar os parâmetros do programa. Todo este processo de preservação e transferência de tecnologia tem o nome de Recasting. Este trabalho surge como extensão de várias investigações realizadas sobre esta matéria mas tem como base o trabalho do compositor, pedagogo e investigador António de Sousa Dias, “Case studies in live electronic music perservation: Recasting Jorge Peixinho’s Harmónicos (1967-1986) and Sax-Blue (1984-1992)”. Neste artigo são apresentadas duas obras do compositor Jorge Peixinho (uma delas escrita para saxofone) como caso de estudo e dissertações sobre as implementações feitas em Max/Msp (software de programação visual) para que essas obras, que originalmente foram escritas para câmara de eco e delay de fita, pudessem continuar a ser interpretadas. Para as obras que vão ser interpretadas no concerto foi feito o recast de vários dispositivos diferentes. Em Olos, de Michel Decoust, o compositor usou um dispositivo de transformação que envolve filtragem, delay e transposição, e para Metaksaks, obra do compositor Anatol Vieru, foi usado somente um filtro de voltagem. Para as três últimas obras do concerto será usada a simulação da câmara de eco Korg SE500 feita pelo compositor António de Sousa Dias. Mnemosyne et l’oubli é uma das obras mais marcantes do compositor Marc Tallet e a obra Variants-Invariants, de Costin Miereanu, serviu de inspiração para que Jorge Peixinho escrevesse Sax-Blue, que será a obra com que irá terminar o concerto. A vontade de começar um projecto como este e de fazer um concerto com este tipo de repertório surgiu pelo gosto muito grande que sempre tive por repertório do séc. XX e XXI. 

 

Philippe E. Branco Trovão

Biografia:
Philippe Trovão nasceu em 1992 em St. Tropez, França. Aos 8 anos começou os estudos musicais na Sociedade Filarmónica Vestiariense e aos 11 anos ingressa na Academia de Música de Alcobaça onde estudou com Mário Marques. Em 2010 prossegue os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa com José Massarrão, onde finalizou a licenciatura em saxofone e o mestrado em ensino da música. Frequentou masterclasses com: Alberto Roque, José Massarrão, Claude Delangle, Jean Yves Fourmeau, Nicolas Proust, Lars Mlekusch e James Houlik.

Participou também em workshops de improvisação e Sound Painting com François Choiselat (vibrafone, improvisação, Lisbon Soundpainting Orchestra), Javier Liébana Castillo e Lê Quan Ninh. Também se apresentou como solista com a Camerata de Sopros Silva Dionísio, com a Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa e com a Orquestra Sinfonieta de Chieri, em Itália. Esteve envolvido em vários projectos multidisciplinares, entre eles o bailado “Dance bailarina, dance”, com a Companhia Nacional de Bailado, o espectáculo “As Artes no Panteão: Ecos de um Meta-Tempo”, uma colaboração da Escola Superior de Música, Escola Superior de Dança e Escola Superior de Teatro e Cinema, a peça de teatro “Medeia”, uma colaboração entre o Laboratório de Música Mista da ESML e a Escola Superior de Teatro e Cinema e a peça ODISSEIA, com Teresa Sobral e José Raposo, onde trabalhou como sonoplasta. Actualmente o seu trabalho passa pela interpretação de obras para saxofone e dispositivo electroacústico, por improvisação, estudo de síntese sonora e composição. Está a desenvolver o seu projecto de investigação RECAST, com o qual irá gravar o seu primeiro disco em nome próprio, é membro fundador dos “Forma Perdida”, duo de “word music” de saxofone e guitarra e do projecto ROOM #315, música experimental. É também presença regular em concertos de música improvisada. Lecciona no Conservatório Regional Silva Marques, em Alhandra, no Conservatório de Música e Artes do Centro e no Conservatório de Santarém.

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